terça-feira, 4 de outubro de 2016

Festa julina ou julhina?


Hélio Consolaro*

Virou moda em nosso meio as festas juninas avançarem o calendário, invadindo o mês de julho. Uma entidade, em Araçatuba, fez isso, chamando-a de “festa julhina”. Os dicionários não registram tal adjetivo.

Na internet, há professores dando suas opiniões totalmente diferentes. Vejamos algumas:

OPINIÃO 1: se são juninas as festas de junho, não são caracterizadas como junhinhas, por que julhina. Se o H desaparece em JUNINA, o mesmo ocorre em JULINA. Essa é a opinião mais lógica.
OPINIÃO 2: essa opinião apresenta razões etimológicas. O mês de junho tem origem no latim: junius; e o mês de julho em Julius. Facilmente se depreende o motivo da eliminação do H em junina e julina. Explicação mais “científica”. 
OPINIÃO 3: se as festas em julho continuam homenageando os santos Antônio, João e Pedro, elas continuam sendo juninas, não devem ser chamadas julinas. O problema dessa opinião é que JUNINA não tem nada a ver com os santos, mas com o mês. Explicação incoerente.

OPINIÃO 4:  festas julianas (em julho). Há razão etimológica, mas por paralelismo as de junho deviam se chamar junianas. Explicação sem lógica.


O uso de “julhina” não encontra consistência alguma, portanto, errôneo.

*Hélio Consolaro é professor de Português, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

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